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xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxfoto de Jean-Christophe Marmara (Le Figaro)
Marcel Gauchet, historiador e filósofo, concedeu uma longa e oportuna entrevista ao Le Monde de 23 de abril deste ano. O título já diz tudo: A autonomia significa o enquadramento dos professores universitários.
Abaixo, um trecho:
No seu primeiro livro, "Condições da educação", o senhor deu ênfase à crise do conhecimento. O movimento atual no ensino superior não é uma ilustração dessa crise?
De certa forma, a economia devorou o conhecimento. Ela impôs-lhe um modelo que fez dele uma máquina de produzir resultados na indiferença à compreensão e à inteligibilidade dos fenômenos. Ora, mesmo que isso seja uma de suas funções, o conhecimento não pode servir unicamente para criar a riqueza. Temos necessidade dele para nos ajudar a compreender nosso mundo. Se a universidade absolutamente não está mais em posição de propor um saber de tal ordem, ela terá fracassado. Ora,os saberes desse tipo não se deixam comandar pelos comitês dirigentes e nem avaliar por métodos quantitativos.
Não é por isso que a questão da avaliação dos saberes ocupa um lugar central na crise?
As questões colocadas pelas modalidades de avaliação são muito complexas, pois são inseparáveis de uma certa idéia de conhecimento. Elas foram regradas de maneira expeditiva pela utilização de um modelo que emana das ciências duras. Essas grades de avaliação são contestadas até no meio das ciências duras, por causa de seu caráter muito estreito e seus efeitos perversos. Mas, salvo esse fato, essa escolha levanta uma questão de espistemologia fundamental: todas as disciplinas da universidade cabem nesse modelo? Há razões para duvidar disso. Não é um acaso que as ciências humanas tenham estado na ponta do movimento. Trata-se, para elas, de se defender contra maneiras de julgá-las que são gravemente inadequadas. O exemplo mais significativo é o lugar privilegiado que os comitês de leitura conferem aos artigos de revistas e que desvaloriza totalmente a publicação de livros. Ora, para os pesquisadores de disciplinas humanas, o objetivo principal e o escoamento natural de seu trabalho é o livro. Está-se em pleno impasse epistemológico.
(...)
Por Maryline Baumard et Marc Dupuis
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2 comentários:
Andréia,
desistiu do blog? Espero que não.
Abraço
Marcelo Norberto
Oi Norberto!
Desisti não!
É que ando muito assoberbada, mas assim que terminar este período agitado de final de ano retorno. Há muito material para publicar!
Obrigada pela força!
Um abraço,
Andréa.
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